Não tentar nada que possa dar errado é uma forma muito comum de se proteger. Evitar mudar de emprego, não lançar o projeto, deixar de apresentar a ideia ou não aprender uma habilidade.
A lógica por trás desses comportamentos é clara: se não se tenta, não se falha. Kiyosaki, autor de “Pai Rico, Pai Pobre”, aponta o problema dessa lógica com bastante precisão.
Quem evita o fracasso também elimina a possibilidade de obter um resultado diferente. O erro não é inimigo do progresso. Em muitos casos, é a única maneira de descobrir o que não funciona antes de encontrar o que funciona.
Fracassar não leva apenas ao sucesso
A frase de Kiyosaki não diz que fracassar seja suficiente. Repetir o mesmo erro várias vezes sem mudar nada não leva a lugar nenhum. O que transforma um fracasso em algo útil é o que se faz depois: analisar o que deu errado, assumir a parte de responsabilidade própria e modificar a estratégia.
Seguir em frente não significa insistir exatamente na mesma coisa. Implica avaliar os resultados, identificar o que estava sob nosso controle e o que não estava, e buscar outro caminho. O fracasso traz informações; usá-las ou ignorá-las já depende de cada pessoa.
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O custo de não tentar
Quando alguém decide não iniciar algo por medo de errar, não está tomando uma decisão neutra. Está optando por permanecer onde está.
Se uma pessoa não se candidata, não consegue o cargo, mas também não descobre o que lhe falta para consegui-lo. Se não lança o projeto, não perde dinheiro, mas também não descobre se a ideia era viável.
A ausência de fracasso, nesse caso, não é uma conquista; é simplesmente a ausência de movimento. E o imobilismo tem seu próprio custo, mesmo que seja menos visível do que o do erro.
Transformar essa reflexão em algo prático exige mudar a forma de lidar com os erros. Algumas maneiras concretas de fazer isso:
- Transformar cada erro em uma pergunta: “O que posso aprender com isso?”, em vez de “Por que isso está acontecendo comigo?”
- Separar o resultado da identidade: um projeto fracassado não define a pessoa. Falhar em algo não significa ser um fracasso.
- Analisar o que estava sob controle: nem tudo depende das próprias decisões, mas ignorar a parte que depende delas impede qualquer ajuste real.
- Fazer pequenos testes antes de assumir grandes riscos: testar em pequena escala reduz o custo do erro e permite aprender antes de se comprometer demais.
- Mudar a estratégia quando os dados mostram que ela não funciona: insistir na mesma coisa esperando resultados diferentes não é perseverança; é repetição sem critério.
- Registrar os erros para não repeti-los: anotar o que deu errado e por quê fecha o ciclo e evita cair no mesmo problema mais tarde.
A segurança de não tentar tem um limite
Evitar todos os erros pode dar uma sensação de controle, mas também mantém as pessoas no mesmo lugar por muito tempo. A questão não é se você vai falhar algum dia — porque a resposta quase sempre é sim —, mas o que fazer com isso quando acontecer.
Kiyosaki não romantiza o fracasso nem o apresenta como algo desejável. O que ele destaca é que quem não está disposto a errar também não está em posição de aprender nem de avançar.
Essa disposição, mais do que o talento ou as circunstâncias, é o que faz a diferença entre quem tenta algo novo e quem continua esperando o momento perfeito para começar.
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