
Entrevistei um especialista, extremamente respeitado em relação ao tema, para trazer ainda mais reflexões sobre essa mudança que deve alterar bastante as relações trabalhistas no país. Trata-se do psicólogo Rossandro Klinjey, uma referência em comportamento humano e saúde emocional, que tem um olhar bem realista sobre o que está por vir. Segundo ele: “Muita gente ainda não percebeu o tamanho disso. Até aqui, saúde mental era pauta de outubro amarelo, brinde de campanha, agora virou risco com peso jurídico dentro do PGR, no mesmo lugar onde mora capacete e extintor”, explica.
Quando eu pergunto sobre quem terá mais dificuldade pra compreender que saúde mental impacta diretamente nos números e resultados das empresas, o psicólogo é bem direto: “Serão três tipos de gestor. Aquele formado na escola do "no meu tempo a gente aguentava", aquele executivo que entrou na carreira nos anos 80 e construiu currículo em cima de ignorar o próprio cansaço. Ele não cuida da equipe porque não se cuida e pra admitir que saúde mental impacta resultado, teria que admitir que a vida dele passou por cima de quem ele amava. O dono de empresa familiar, sobretudo no setor produtivo, que confunde o negócio com a casa, e a casa com o purgatório. Ali, fragilidade emocional é vista como falha de caráter. E tem um terceiro perfil, mais novo, mas perigoso de outro jeito. Trata-se do gestor que adora a estética da saúde mental. Faz post sobre vulnerabilidade, fala em programa de bem-estar, contrata mindfulness no horário de almoço e cobra entrega impossível às onze da noite. É a empresa que aprendeu a linguagem terapêutica sem mudar a prática gerencial. Resumindo: vai resistir mais quem nunca teve coragem de olhar pra própria dor. Ninguém cuida lá fora do que não suporta sentir dentro”, analisa.
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